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Tarde de Sexta

{de alguma época de 2015}
Tarde  de  sexta-feira,  mais  uma  penosa  semana  de  aula  havia  se passado,  a única  coisa  que  animava  Eduardo era a festa  que  sua  amiga faria no dia seguinte em sua chácara, animava-o ainda assim sem muita esperança.A   anfitriã,   além   de   amiga,era uma   grande   confidente,   mandava-lhe incessantes  mensagens  pelo  Whatsapp  falando  dos  preparativos  para  sua “social”, dos amigos que iam.  Muitos  eram  desconhecidos  para  o  rapaz,  pois eram de turmas diferentes, ele da Economia, o resto dos convidados da Letras. Mal sabia ele que uma das novas amizades daquele sábado iria mudar quase totalmente seu jeito, sua forma de pensar.Não  que  Eduardo  fosse  do  tipo  que  precisava  ser  “posto  na  linha” constantemente,  muitas  vezes  era  ele  quem  muito  ajudava  os  amigos,  na verdade, desde matérias da escola até quando algum deles exagerava demais na  bebida  e  tinha  que  ser  vigiado  até  que  provasse  estar em sã  consciência,principalmente  se  isso  incluía um  celular  com  internet móvel,  perigo  para uns,que  no  auge  de  sua  embriaguez resolviam  declarar-se  ou  pedir  desculpa  por desentendimentos no relacionamento. Porém, também gostava de beber e em quase  todo  lugar aonde ia  ficava  a  ponto  de  “Bater  TUIM”,  se  sentia  mais alegre,  descontraído,  enérgico,  disposto  a  fazer  tudo  o  que  passasse  em  sua mente, sair da rotina que o prendia como se fosse algo impossível de esquivar-se da pressão, a convivência com as pessoas ao seu redor, o peso de conciliar sua vida social em meio a aparente tanto sufoco. O álcool sempre era um canal para fugir disso tudo, por mais que fossem apenas algumas horas.O  restante  do  dia  e  a  manhã  do  dia  seguinte  passaram  voando,  e  com isso  os  pensamentos  de  Eduardo.  Como  seria  a  festa?  Como  seriam  os convidados?  Iria  chover?  (O  dia  havia  amanhecido  nublado).  O  que  mais o inquietava  era  a  sensação  de  que  algo  bom  aconteceria  naquela  tarde,  algo que ficaria preso em sua consciência por muito tempo.No  meio  da  tarde,  lá  para  às16h30min,  o  rapaz foi  para  a  conhecida chácara onde já havia tido inúmero smomentos memoráveis com amigos.Sua ansiedade  com  o  desconhecido  o  acompanhava,  cada  vez  mais se  agitando. Chegando  lá  a  função  já  havia  começado.  Vodka.  Batida.  Sex  on  the  Beach. Música.  Dança.  Batida.  Gente  animada.Embriaguez.Gargalhadas.  Sorrisos. Selfies.  Snapchat.  A  noite  ia  chegando  quando  de  repente  sua  amiga  se aproximou  de  Eduardo,  já  quase  a  ponto de  ficar  bêbado,  e  apontou  para Clara,  uma  das  calouras  que  estava  na  mesma  turma  que  ela, instigando-o  a conversar com a que naquele momento se tornaria o centro de suas atenções até depois que fosse embora.Lembrando-se  vagamente  da  menina  passando  por  ele  pelo  campus, percebeu  como  Clara era  bonita.  Mas  não  era  simplesmente  beleza.  Era  uma beleza calma, inteligente, tímida,singular,e que parecia observar tudo ao seu redor.  Cabelo  curto  ou  comprido?  Eduardo  não  sabia  dizer.  Porém,  antes  de conhecer  a  caloura,  ele  tinha que  se  livrar  da  coragem  que muitos tinham quando bebiam(o  álcool),principalmente se o  assunto  era  mulher.  Apesar de soar contraditório, fazia todo o sentido para ele: não queria estar sob efeito de
nada  que  não  fosse  sua  consciência  (já  bastava  ela)  para  falar  com  alguém que parecia impor tanta presença, comum ar tão firme e ao mesmo tempo tão inocente. Comeu o que era possível (não podia estragar o hálito), bebeu litros de refrigerante, lavou o rosto no banheiro uma dúzia de vezes para enfim usar de sua verdadeira coragem, a mais besta e frágil possível diante da segurança de uma mulher, encontrou-a enquanto andava “distraidamente” até o outro lado do salão onde as pessoas se encontravam e dirigiu-lhe um “Oi”.No momento em que pela primeira vez a menina sorriu diretamente para ele,  sabia  que  já  estava  rendido.  Era  um  sorriso  sincero,  divertido,  daqueles que  os olhos  chegam a  quase fechar. Conversaram  um  pouco,  Clara mostrou titubear  diante  do  estranho  que  acabava  de  conhecer.  Pediu  licença  e  foi  até um grupo de amigas, Eduardo ainda sem saber como reagir diante da situação, revisou  mentalmente  seus  passos  até  ali  e  decidiu  mais uma  vez falar  com  a garota. Conversaram um pouco mais (se tivesse ideia de quantos assuntos em comum sairiam daquela conversa, conversaria muito além do que foi) e enfim, foram para   longe   de   todo o   caos   que   parecia   ser   a   festa.   Enquanto caminhavam,  o  menino  percebeu  que  Clara  estava  descalço,  chegando  a divertir-se com aquilo. Pararam sob a luz de um poste, já era noite, sorriram um para  o  outro  e  beijaram-se  por  um  tempo  que  não  parecia  passar  e  pensava em  tantas  coisas  que  não  conseguia  organizar  sua  mente  de  forma  objetiva Clara  tímida  escuridão  sons  ao  fundo  perfume  feminino  cheiro  de  xampu  pés descalços  calçamento  de  pedra 007 vento  frio  calor  humano  um  completo silêncio dentro de sua mente Clara o caminho que o levara até ali a amiga que apresentou  um ao outra  profusão de  pensamentos  Oba  lá  vem  ela Charlie Brown  Jr. Euforia Grazi  Marginal  Alado Calmaria corpos  se  afastando  olhos. Não  sabia  dizer  ao  certo  quanto  tempo  durou  o  beijo,  a  moça  convidou-o  a voltar para o salão e sumiu de sua vista por um tempo.Sem entender porque (há quem diga que sabia) Eduardo foi tomado por uma sensação que o impedia de chegar próximo da pessoa com quem tomou intimidade recentemente, parecia  que  tudo  o  que tentava falar depois  daquele momento era inútil, sem sentido, a única coisa sensata a fazer parecia ser pedir o  número  da  garota,  adicionou-a  aos  contatos  e  não  mais  falou  com  ela durante o restante da festa. Foi embora.Acordou no domingo com uma sensação pior do que a da noite anterior. Como  podia  ter  deixado  alguém  tão fascinante  passar  por  ele  desse  jeito,  ser intimidado  por  algo  que  nem  sabia  descrever?  Sem  saber  se  era  coerente, tomou  uma  decisão  aquele  dia e  se deu  conta  de  uma  certeza:  nunca  mais beberia  como  antes  a  ponto  de  ficar  embriagado;  e  descobriu  a  fonte  de  sua ansiedade  e  inquietação,  sendo  esses  sinônimos  para  algo  de  um  significado muito  superior,  Clara.  Evitou  falar  com  ela  naquele  dia,  quando  estamos eufóricos  ou aborrecidos as  coisas  não  costumam  sair  como  planejadas. Passou o resto do dia na mais aparente tranquilidade possível, sem demonstrar para as pessoas a sua volta o turbilhão de coisas que passava em sua cabeça.
Na manhã de segunda-feira, um Eduardo mais calmo decidiu que assim que  avistasse  a  garota  pelo  campus  iria  de  encontro  a  ela  e  conversaria  da melhor maneira possível. A quantidade de coisas boas que haviam falado dela depois  que  a  festa  passou  deixou  o  jovem  fascinado  e  culpado  por não  notar tamanha   grandiosidade   numa   pessoa   aparentemente   tão   pequena.   No caminho  da  entrada  do  campus  até  sua  aula,  deparou-se  com  um  grupo  de meninas  que  incluía  sua  grande  amiga,  anfitriã  da  festa,  e  Clara,  juntamente com  uma  incapacidade  de  raciocinar diante  da  caloura  que  mesmo  com  tudo que sabia sobre ela (ou pensava que sabia)o máximo que conseguiu falar foi um  “Oi”  tão  desajeitado  que  só  vendo, esquecendo-se  de qualquer  outro assunto  que  pudesse  surgir  e  passou  direto  pelo  grupo,  a  partir  de  agora acompanhado de uma inexplicável culpa interior aparentemente impossível de ser  resolvida.  A  partir  de  sua  característica  mais  marcante,  a  timidez,  Clara passou a evitar que fosse trocar olhares com Eduardo, quase como se sentindo distante diante do acontecido.A verdade era que Eduardo se importava sim com o breve período que passaram  juntos,  queria  ter  força  para  falar  coma  garota,que  dominou  seus pensamentos, tudo  que  pensava  dela,  mas  não  sabia  se  ainda  adiantaria alguma  coisa  após  tanto  tempo.  Se tivesse  a  oportunidade  de  falar  tudo  que pensava,  pudesse  tirar  o  fardo  que  carregava  na  consciência  todo  o  dia  o  dia todo desde a festa, diria primeiramente admirava-a acima de tudo, achava seu jeito  próprio,  seus  gostos,  suas  bandas,  seus  livros,  o  máximo,  o  jeito  como parecia  tão  bela  e  simples  ao  mesmo  tempo,  a  timidez  que  o  encantava,  a garra  com  que  enfrentava  tudo  o  que  era  necessário,  que  sentia  por  ter causado  qualquer  angustia  que  fosse  cada  expectativa  fracassada,que  de certa maneira entedia (ou não) o rumo que as coisas tomaram e como para ele seu  sorriso  parecia  A  coisa  mais  meiga  e  sincera  do  mundo.  Com  tanto pensamentos e incertezas, não sabia como externar isso de uma maneira que não soasse desesperada ou besta, só conseguia pensar na melhor forma pela qual expressava qualquer coisa que pensava. Escreveu esse texto.

Comentários

  1. Escreveu esse texto - que ficou incrível, assim como o blog todo 💛 Parabéns demais pela iniciativa! Já vou seguir, colocar no blogroll e esperar que você se divirta muito digitando por aqui. Sucesso para você!

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    1. Oi, Larissa! Obrigado pela visita e pelo apoio, já tenho várias ideias do que escrever. Quem sabe um dia chego no nível do seu ahaha

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